sábado, 21 de outubro de 2017

A CHUSMA SALVA-SE ASSIM - LETRA COM ACORDES

                                               A CHUSMA SALVA-SE -SE ASSIM






Intro: 2/4 || Bm| Bm| Bm A |D7+|F#m D7+|F#m D7+|F#m Em|

|Bm F#m |Bm F#m | Bm |

Bm 
Já anda a gente do mar

A fazer fardos e trouxas
                    A
Arrombando porões

           D7+          Bm E7 (2)
A roubar arcas e caixões

G#m7
E abandonam as mulheres

C#7
Os filhos desamparados

C#m7
Que choram muito assustados

D#7
Sem outra consolação

G#m7
Que uns abraçados com outros

B7                                   E6
Incham das águas aos poucos

D#7                              G#m7
Dos tragos salgados da morte

C#7                              C#m7
Imploram a deus outra sorte


D#7
Às arfadas
Aos arrancos
Em prantos

F#m
E às golfadas

C#m7
E uns se afogam de vez

                         F#7
Deixando-se ir ao fundo

C#m7
E se entregam assim

                          F#7
Ao sono mais profundo

Am7/9
Outros gritam aos céus

D7
Pela absolvição

Am7/9
E se enforcam depois

D7
Com suas próprias mãos

Em7
Perneando com a morte

Em6
As pernas descarnadas

Em7
Feitas em rachas em lanhos

Em6
E tão estilhaçadas

Am7/9                                D7
Que por esta parte em destroços

Dm7                                       G7
Lhes vão caindo os tutanos dos ossos

Gm7                  C7
E sem saberem nadar

C7       
Sem a nau

A7
Sem tábua nem pau

F#m7    F#7      Bm
Vai o mundo adornar

A6   Bm
Cai ao mar
A6      F#
Cai ao mar

Daquela assada do barco
Constroem seu salvamento
Amarrou-se a gente ao troço
P´la cintura p´lo pescoço
Indo assim tão carregada
Ferem com facas e lanças
As mulheres as crianças
Que se aferram à jangada
Mas rezam avé-marias
Padre-nossos litanias
P´las almas dos mutilados
Que p´ra ali são abandonados
Às arfadas
Em arrancos
Em prantos
E às golfadas
Cheio vai o batel
E quase a afundar
P´ra alijarem a carga
Botam gente ao mar
Engole uma vez de vinho
E da marmelada um bocado
O pobre de um marinheiro
Mesmo antes de ser lançado
Deixou-se então atirar
Com os braços cruzados
E se ofereceu todo à morte
Tão quieto e calado
E o piloto logo abençoou
Os seus dois filhos
Que ele próprio lançou
E sem saberem nadar
Sem a nau
Sem a tábua nem pau
Vai o mundo a adornar
Cai ao mar
Cai ao mar

Pequena era a tua filha
E não a quiseram salvar
Ficou ao colo da ama
No barco grande a afundar
Suplicas da jangada
Enfim
Ergues teus braços de mãe
Mas não te escuta ninguém
A chusma salva-se assim
Gaspar ximenes
Calado
Não chores alto
Cuidado
Tu chora só no coração
Ou também vais como o teu irmão
Às arfadas
Aos arrancos
Em prantos
E às golfadas
Passam dias a fio
À pura fome e sede

E há quem vá tragando urina
E morra do que bebe
Outros da água salgada
Falecem dos sentidos
Gritando sempre por água
Lançam-se ao mar ressequidos
Vai-se o soldado e o china
Não fica dor nem mágoa
Botou-se estêvão mulato
Com a mesma sede de água
E na tarde daquela aridez
Atirou-se o padre
E o piloto outra vez
E sem saberem nadar
Sem a nau
Sem tábua nem pau
Vai o mundo a adornar
Cai ao mar
Cai ao mar

E viemos nascido do mar